JUDÔ

Somente se aproxima da perfeição quem a procura com constância, sabedoria, e sobretudo humildade

 

No Brasil Judô tornou-se sinônimo de sucesso. Única modalidade que traz medalhas em todas as edições de Jogos Olímpicos desde 1984 vem evoluindo a cada geração de judocas. A cada grande evento mais nomes e medalhas são apresentados ao país. Conhecê-lo tornou-se tarefa quase que obrigatória para todos os amantes do esporte.

 

O Caminho Suave, tradução literal de JUDO, nasceu em um país em transição. Criado por um intelectual japonês seis anos depois de decretada oficialmente extinta a classe dos samurais no Japão, dando início à era Meigi, ele herdou princípios e valores do Bushido – Código de Ética do Samurai – e foi influenciado pelas filosofias milenares do Confucionismo, Xintoísmo, Zen-Budismo e Taoísmo. Mais do que uma luta, o objetivo de Jigoro Kano foi criar uma arte marcial em que a evolução técnica do praticante fosse sempre acompanhada de sua evolução espiritual.

 

Ele entrou na minha vida em 1989, um mês antes de completar catorze anos. Meu irmão, que já praticava, e a medalha de ouro de Aurélio Miguel nas Olimpíadas de Seul um ano antes, foram os principais responsáveis pela minha introdução neste esporte. O sonho grande desde o primeiro dia de aula, me vendo um dia numa olimpíada, veio do meu professor, Geraldo Bernardes, técnico daquela mesma seleção brasileira do campeão Aurélio Miguel. Quando tudo parecia distante ele e seu entusiasmo davam asas pro meus sonhos. Em cinco anos, ganhei, ainda júnior, a seletiva para a seleção brasileira adulto e dei início a um novo ciclo em minha vida viajando o mundo inteiro, boa parte do ano, em busca de ippons.

 

Muitas lutas e países depois, entre vitórias e derrotas, olimpíadas e pan- americanos, foi justamente da minha maior decepção que surgiu minha conquista mais relevante. Depois de cinco anos viajando como titular da seleção brasileira, perdi minha primeira seletiva nacional logo na Olimpíada de Sydnei, em 2000. Viajei como reserva e, ainda na Austrália, decidi que tinha chegado a hora de fazer valer o maior ensinamento do judô. Mais importante do que o tamanho da queda é o ensinamento que levamos dela, como nos levantamos. Voltei pro Brasil e comecei a usar meu esporte, seus valores e princípios, para transformar vidas. Voltei ao Brasil e comecei a trabalhar como professor de Judô em um projeto social na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro. Dois anos depois, formado em direito e tendo feito uma monografia sobre Terceiro Setor, formalizei meu sonho e o batizei de Instituto Reação. Hoje, cerca de 1800 crianças, jovens e adultos praticam Judô diariamente em nove polos no Rio de Janeiro (Rocinha, Cidade de Deus, Tubiacanga, Pequena Cruzada, Deodoro, Pavão, Pavãozinho e Cantagalo, Arena Olímpica, Jacarepaguá) e um em Cuiabá.

 

O que mais me impressiona no meu esporte é sua capacidade de treinar para a vida. A primeira lição que temos quando entramos no Judô é aprender a cair, repetindo inúmeras vezes exercícios educativos para cair com segurança. Só depois disso que ganhamos o privilégio de aprender a derrubar. Mesmo quando tornamo-nos excepcionais derrubadores continuamos caindo, sempre. E, assim, nessa lição diária de determinação e humildade, compreendemos que no Judô e na vida o mais importante não é aprender a não cair, isso é inevitável, mas aprender a se levantar. Como diria um dos princípios máximos do Judô “somente se aproxima da perfeição quem a procura com constância, sabedoria e, sobretudo, humildade”.

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